Nos séculos XVIII e XIX, com a revolução industrial, a automação chegou para ocupar um espaço na sociedade contemporânea. Nela, também, propagou-se as tecnologias, novas formas de viver e de se comunicar.
A inclusão às múltiplas plataformas foram aos poucos provocando reflexões acerca da sua mecanicidade. Buscou-se a agilidade, a excelência e a produtividade, com o brilhantismo das ideias, instituídas por formadores de opiniões. Houve um atordoamento, logo adiante, no início do século XX. A onda dos produtos, serviços e sua excelência tornou-se ‘barulho’ que criou uma nova dimensão do pensar e do fazer, das coisas realizáveis e nem por um segundo irrealizáveis. Tudo era possível, no conceito de tempo e espaço.
“Nada do que foi será igual ao que foi a um segundo”, cantou Lulu Santos em sua canção ‘Como uma onda do mar’, criada em 1983, no século XX. Tudo havia mudado. O cidadão estava cada vez mais refém de suas próprias criações. O desejo de poder aumentara, por outro lado, as necessidades da mesma forma, bem como o consumismo. Passou-se a ter, consumir e repetir os gestos de Charles Chaplin, do início da era moderna.
Diante do cenário, deste novo século, as buscas por silêncio fugiram ao controle das sociedades e a autoajuda também conquistou o seu espaço. Surgiu a era da quebra de paradigmas e a operacionalidade de padrões, a fim de se alcançar resultados, geradores de capital.
Precisou-se aprender a otimizar o tempo, trabalhar em equipe e delegar responsabilidades. Processo que exigiu ‘desapego’ de conceitos, muita disciplina, liderança e diálogo. Em meio à reciclagem de comportamentos também houve renovações de equipes e sobrecargas de atividades. O momento exigia novos aperfeiçoamentos, bem como eficiência e pró-atividade.
Uma verdadeira fábrica de panelas estava ao alcance de todos.
– Por que, panelas? Há panelas vazias, cheias, coloridas, de alumínio e também de barro. Embora, na essência ‘as panelas’ possuam elementos em comum, o que as difere são seus destinos, sobretudo, o que colocar em seu interior. Quer por seu brilho ou por sua fragilidade. Todas, entretanto, exigem cuidados. Elas podem receber porções que serão transformadas em ouro, ou outros elementos catalisadores de energia. Também podem receber natureza curadoura. Outras, simplesmente, acolhem o alimento indispensável à vida. Todas, entretanto, na sua concepção, ocupam um espaço único.
Quando cheias de algum produto alimentício passam a ter o valor duplicado. Por outro lado, se vazias, geram sofrimentos para muitos. Embora a tecnologia as tenha produzido com eficiência, elas precisam passar, também, pelo fogo para oferecer resultados desejados. Ao mesmo tempo, há que se fazer a manutenção para continuarem dentro dos padrões de qualidade.
às coloridas, há que se utilizar um produto adequado para mantê-las na cor natural, em seu período de vida útil. Panelas de barro resistem às temperaturas. Quanto às de alumínio? Para um brilho contínuo, demanda mais tempo, devido ao polimento constante. A cada uma dá-se, na medida do tempo, ares de realeza entre os homens, pois a sua eficiência somente será possível, por meio da mão humana.
E, aos seres humanos, nossos eternos colaboradores, construtores de histórias, como estamos cuidando? Há padrões operacionais nas palavras a eles dirigidas? Estímulo e reconhecimento, diante das tarefas? Quem são estes seres que convivem ao nosso lado no dia a dia?
Dê muitos brilhos, que se destacam, mas precisam cuidados, também por serem frágeis. De barro, por suas fortalezas, mas que guardam suas minúsculas fraquezas, próprias da criação. Entre tantas regras, desafios e produtividade – há tantos Charles Chaplin – tecnologicamente – repetindo gestos, no dia a dia. No palco da vida, eles também oferecem sorrisos, mesmo que uma lágrima por vezes insista em cair. E quando a cortina se fecha, no fim do dia, ou do ano, regressam a suas essências, para encontrar no âmago da alma, forças para cumprir, novamente, com suas rotinas em novos amanheceres.
Diante de linhas paralelas ou horizontais, a vida lhes traça um caminhar, uma função, ou múltiplas funções. Estas, em mãos hábeis, seguem construindo novas décadas, novos séculos, novos empreendimentos. Para muitos, a sorte nem chegou. Para outros tantos, perspectivas e facilidades para dialogar, construir e liderar. Andar à frente, ao lado e ajudar na manutenção de brilhos, sempre será atividade que requer habilidade, porém, sensibilidade.
Por uma vida mais completa perante as infinitas possibilidades de inteligências, há que se rever conceitos, buscar-se as porções mágicas de bem-querer, a fim de se manter os padrões de qualidade e comprometimento, bem como reconstruir padrões de excelência, ou quem sabe reaprender-se, ou aprender a construir pássaros de papel, superando-se e superando desafios, renovando a esperança e alçando novos horizontes.
