O mundo, mais uma vez, ficou assustado com as notícias de um atentado terrorista. O alvo, nesta manhã, foi Bruxelas, na Bélgica, onde uma série de explosões levou o caos à cidade.
Duas delas aconteceram primeiro no Aeroporto de Zaventem, a cerca de 12 quilômetros da capital, às 8h. Uma hora depois, outra explosão aconteceu, mas na estação de metrô Maalbeek, que fica no coração de Bruxelas e em uma região conhecida por abrigar escritórios de entidades como a Organização das Nações Unidas e União Europeia.

à convite do T&T, a autora do blog Da Europa, Solange Silberschlag Beglin, escreve um relato sobre este e outros atos terroristas. Atualmente morando em Londres, ela fala sobre o clima de medo na região:
“Estamos em choque, novamente, pois estes ataques terroristas, cada vez mais frequentes no velho continente, tocam num dos princípios fundamentais da vida de qualquer europeu: segurança. A segurança aqui é incontestável. Ou melhor, era. Nós aqui acreditamos piamente na liberdade de ir e vir e de certa forma, vivemos este privilégio sem medo de sermos assaltados ou sequestrados. Bandidos aqui vão para cadeia e a ordem social impera, sempre. A polícia age e justiça é feita.
Esta certeza não existe para atos terroristas, pois pegam a população despreparada, atacando o alvo fácil. Gente inocente divertindo-se num show de música, gente a caminho do trabalho, gente numa área de embarque. Gente de todos os credos. Gente inocente. São atos covardes com o único intuito de abalar a segurança de uma nação, de um continente.
Aparentemente não existem motivos para tanto ódio, mas infelizmente os terroristas (jovens em sua maioria) se escondem por trás de uma ideologia religiosa. E justamente por isso o terrorismo é o crime mais temido dos europeus. Pois extremistas, nascidos e crescidos no velho continente, fazem parte da sociedade europeia e usam a sua interpretação da religião islâmica para atacar inocentes. Esta minoria de extremistas acredita no extermínio do ocidente pois não concorda com o jeito de viver dos ocidentais, ainda que tenham sido acolhidos aqui.
Durante alguns meses em 2009, trabalhei em Bruxelas, no Consuldado Britânico, e conheci muito bem a cidade. Inclusive usei várias vezes a estação de metrô Malbec, que está situada no bairro das embaixadas e instituições europeias.
Hoje conversando com ex-colegas, que continuam lá trabalhando, me falaram que todos sabiam que algum tipo de ataque era iminente. Principalmente depois que um dos responsáveis pelos ataques em Paris, Salah Abdeslam, fora capturado nesta semana. Mas todos acreditavam no trabalho da Polícia em interromper qualquer tipo de ação terrorista.
Os belgas estão em estado de choque. Como ficaram os americanos em 2001, os londrinos em 2007, parisienses no ano passado. E a lista continua… é muito triste ver vidas ceifadas por motivos ideológicos. A Europa inteira está em alerta. Aqui na Inglaterra, principalmente, inúmeros supostos ataques foram desvendados nos últimos meses. O risco sempre existe mas a vida continua. E depois de alguns dias, tudo volta à rotina.”