Em agosto de 1992, a finlandesa Anna Helena Kelho veio a Venâncio Aires para realizar um intercâmbio através do Rotaract Club. Aqui, a assistente de comunicação permaneceu, durante quase todo seu período de viagem, na casa da família Closs, que, na época, tinha uma filha recém-nascida, a pequenina Francine Kist Closs. Hoje, de volta a Finlândia, Anna abriu as portas de sua casa para Francine, que, aos 23 anos, realiza uma viagem turística e de autoconhecimento no país.


No período de quase um ano que Anna passou em Venâncio Aires, muitas coisas mudaram na vida da assistente de comunicação, como a relação de amizade construída com brasileiros e mantida através da internet; o gosto pela comida típica do país; a paixão pelo chimarrão, bebida símbolo de Venâncio Aires; e, a maior delas, o conhecimento quase completo da língua portuguesa.
“Em meu tempo no Brasil, também viajei para o Nordeste, para Belo Horizonte e Rio de Janeiro”, conta Anna. “Conheci, também, Porto Alegre e Gramado, além de outras cidades do Rio Grande do Sul”. Além disso, a finlandesa teve a chance de estudar no Colégio Bom Jesus, onde explorou detalhes sobre a educação brasileira, fazendo novos amigos e adquirindo novas experiências.
Atualmente, Anna mora com o marido Harri, na cidade de Hämeenlinna, a cerca de 100 quilomêtros de Helsinki, capital da Finlândia, e, lá, ela é uma grande referência na língua portuguesa, pois aprendeu a falar e escrever quase como uma típica brasileira. No entanto, o processo de aprendizagem do idioma não foi tão simples como parece.

“Quando cheguei em Venâncio, não sabia nenhuma palavra em português, só tinha um dicionário comigo”, conta a assistente de comunicação. “Mas, logo no primeiro dia de aula no Bom Jesus, conheci a Daniela Prochnow, com quem mantenho contato até hoje, e ela me ajudou muito com o idioma e a adaptação à cidade”. De acordo com Anna, após aulas de com a professora Isolde Buggs e longos quatro meses de dificuldade, ela finalmente conseguiu conversar em português.
De volta à Finlândia, em 1993, a profissional continuou estudando o idioma em aulas particulares, através de provas, para obter diploma, e estudos mais aprofundados do mesmo. “Depois de terminar o Ensino Médio, no meu país, me mudei para Estocolmo, na Suécia, para estudar português, pois, na época, era a universidade mais próxima para a atividade”, relembra Anna. Durante os estudos, conforme explica a assistente de comunicação, um intercâmbio de seis meses foi realizado em Lisboa, Portugal, para um maior conhecimento da língua. “Então, desde 2003, dou aulas de português durante a noite em um instituto de línguas aqui no meu país”, acrescenta ela.
EXPERIêNCIA QUE SE REPETE
Através da acessibilidade oferecida pela internet, Anna Kelho e a família Closs conseguiram manter contato ao longo dos anos que se seguiram ao seu intercâmbio em Venâncio Aires. E, quando surgiu a oportunidade da agora bióloga Francine Kist Closs ir à Finlândia, no lugar da viagem de formatura da graduação, ambas as famílias não pensaram duas vezes: a jovem ficaria na casa de Anna.
No período de um mês no país do Norte da Europa, Francine já teve a oportunidade de ver nevar, experimentar a culinária local, fazer amizade com as pessoas da região, sempre muito receptivas, e admirar as belas paisagens do país, como os lagos, parques e castelos medievais. No entanto, algumas dificuldades também surgem em sua estadia por lá. “Falar em finlandês é um pouco complicado, principalmente a pronúncia”, explica ela. “Mas, como quase todo nativo daqui fala inglês, a comunicação acaba se tornando mais fácil”.

Além disso, os dias frios e curtos, amanhecendo às 8h e escurecendo às 15h30min, fazem com que os cafés e chás, bebidas quentes em geral, sejam muito apreciados pelos finlandeses. Sobre o país, Francine só tem elogios. “A Finlândia é um lugar muito lindo e desenvolvido, sendo um exemplo em qualidade de vida”, ressalta a bióloga.
Ainda, Anna e Francine passarão o Natal juntas, já que a viagem da jovem irá se estender até o dia 28 de dezembro.