Sobre a vontade de passar uma temporada em Marte Tudo o que tentamos demonstrar às crianças sobre respeito e educação anda às avessas por aqui. E o pior, há quem aplauda, quem defenda, quem queira deixar como está.
Não quero.
Infelizmente, não há resposta clara, não há caminho aberto. Há apenas confusão, mentiras, desrespeito, cuspe, palavrões.
E a indignação que trago não é sobre o comportamento, única e exclusivamente, dos políticos, é sobre as lideranças. Não é sobre os indivíduos, mas sobre seus péssimos exemplos. Mesmo quando dizem ter objetivos nobres, seus atos são repulsivos.
Profunda tristeza em ver a democracia que construímos. E a gente assiste, envergonhadamente, uma sessão de horrores no plenário.Temos líderes que cospem uns aos outros. Estão na política e nos programas de auditório. E dizem, abertamente, que essa é sua defesa ao serem agredidos.
Líderes que gritam e se ofendem. Que não sabem a diferença entre plural e singular. Que xingam e esbravejam com palavrões. Que não esperam a vez de falar. Que não respeitam as mulheres, que não respeitam os homens. Que não se dão o respeito. Que se acham superiores, uns aos outros, só não se sabe em quê.
Como deixamos que chegassem lá? Como lhes demos poder? Pra que tantos e tão tortos? Que sistema é esse? Não há mudança sem ruptura. Que sejam feitas tantas e quantas forem necessárias. Todas as que forem necessárias.
E que eu ainda possa, orgulhosa, mostrar a meus filhos, líderes íntegros, educados e gentis. De qualquer cor, credo ou orientação sexual, de qualquer lugar do país. Estamos profundamente carentes de bons exemplos. E se não for possível, que ao menos eu seja capaz de assim os educar.
Já seria um começo, não é mesmo?

Filhos,
como o projeto Marte ainda é um pouco audacioso, desculpem, mas vocês vão ter que aprender a lidar com essa avalanche de maus exemplos. Não façam nada disso que estão vendo, por favor.
Não roubem, esperem sua vez de falar, não tirem as calças no meio da rua para protestar, não quebrem vitrines nem coloquem fogo em nada no meio da rua, também não saiam por aí fazendo necessidades para ofenderem seus oponentes. Tentem não ter oponentes. Xixi e cocô são coisas naturais, mas nem os cãezinhos devem fazer no meio da rua. Simplesmente, não façam.
Ouçam e respeitem enquanto outras pessoas falam, se não concordarem, não cuspam nelas, há outros jeitos de demonstrar a própria opinião. Saibam a diferença entre plural e singular.
Aprendam que o correto é presidente, independente do gênero que seja eleito. E saibam que o respeito também não escolhe gênero.
Se alguém os ofender sem razão, contra-argumentem com inteligência e educação. Se tiverem razão, ajam da mesma forma, nada justifica ser mal-educado.
Não aceitem esmolas em troca de favores, nem que sejam volumosas, nem que sejam mensais, nem que brilhem aos olhos. Não aceitem.
Simplesmente estudem, trabalhem, ouçam e respeitem as outras pessoas. Vivam para o bem. Sejam felizes com o que tiverem, não cobicem a vida alheia. Sejam íntegros e autênticos.
E busquem os seus sonhos. Mas se desistirem de tentar por aqui e quiserem estar à frente de uma ‘Missão Marte’, por favor, me levem junto.