Foto: Arquivo pessoal / Tudo & TodasAo conhecerem os pequenos Lucas e Mateus, Deise e Marcos não tiveram dúvidas a respeito da adoção
Ao conhecerem os pequenos Lucas e Mateus, Deise e Marcos não tiveram dúvidas a respeito da adoção

A relações públicas Deise Kanitz, 44 anos, e o marido, Marcos Kanitz, 48, tentaram por mais de dez anos terem filhos biológicos, mas por problemas de saúde, esse desejo não foi possível. Diante disso, Deise conta que ela e o marido acessaram o sistema de adoção, e depois de seis meses estavam habilitados a entrarem na fila.

Deise destaca que ela e Marcos eram pouco restritivos: poderiam ser duas crianças e terem em torno de seis anos de idade. Levou dois anos até que o casal tivesse o contato da instituição onde os meninos estavam. O casal lembra que já haviam tido um contato anterior, mas que ele havia sido muito frustrante.

Assim, em maio de 2013, o casal foi contatado pelo Fórum de Sapiranga e questionado se estariam interessados em conhecer dois meninos, irmãos, com sete e nove anos. Ela relembra:

Fomos até a instituição em uma quinta-feira, foi amor à primeira vista. Depois daquele dia nunca mais fui a mesma pessoa.

Segundo Deise, durante o período de adaptação ela não dormia, só pensava neles. Além disso, ela explica que quando os meninos iam visitar o casal, tudo era muito marcante e, por isso, muitas vezes, o sentimento era de despreparo, como se não fosse possível ‘dar conta’. O casal lembra que os meninos eram muito intensos, como se fossem crianças sem nenhuma noção de nada, como se tivessem finalmente obtido a liberdade depois de muito tempo enjaulados. Para Deise e o marido, era apavorante, mas, ao mesmo tempo, encantador. 

Mas tínhamos certeza de que eram eles. Eram nossos filhos e daríamos conta, formaríamos uma família

E foi com essa certeza que o casal agilizou o processo e, em julho de 2013, foram buscar a guarda provisória de Lucas, hoje com 11 anos, e Mateus, com 9. Em fevereiro de 2014, aconteceu a primeira audiência de adoção e em fevereiro de 2015, finalmente, os quatro eram uma família. Uma verdadeira família.

Deise relata que levou um tempo até que ela e o marido se sentissem, efetivamente, pais dos meninos, e ela sente que o mesmo ocorreu para eles.

Hoje somos uma família de verdade, com nossas brincadeiras, com nossas briguinhas, com muito amor.

Para o casal, Lucas e Mateus são crianças muito amorosas, desprovidas de preconceitos e muito solidárias.

Há dois anos e meio sendo uma família, Deise destaca que é difícil colocar em palavras a grandiosidade desse sentimento e a força de um amor que só cresce. Para a relações públicas, a adoção a tornou uma pessoa muito melhor, mais paciente, compreensiva, tolerante e, principalmente, mais madura. Conforme Deise, antes da adoção e da chegada dos meninos, ela costumava ser perfeccionista e exigir dos outros não menos do que a perfeição também. Ela destaca que

Ser mãe me fez exigir um mundo menos perfeito

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Em 2015, o caderno Mensagens de Natal, da Folha do Mate, emocionou os leitores com histórias de adoção. São pais e filhos que contam seus relatos, e mostram que a verdadeira mágica natalina é o amor.