O casal formado pela analista de sistemas Iva Viebrantz e pelo cirurgião-dentista Rudnei Luís Nardes, sempre considerou a possibilidade de adoção. “Quando éramos namorados, os planos eram termos dois filhos biológicos e adotar uma ou, talvez, duas crianças”, revela Iva. “Por fim, o plano de termos filhos biológicos não deu certo, por incompatibilidade genética, e então focamos na adoção”.
E foi aí que tudo começou. Iva conta que, em 2005, eles deram entrada com os papéis para a adoção no Fórum de Venâncio Aires, e, após passarem por todos os processos necessários para realizá-la, o casal teve que aguardar. Em 2009, através de contatos, descobriram as irmãs Vitória e Waleska, na época com quatro e dois anos, respectivamente, que aguardavam, há quase dois anos, em uma Casa de Passagem na cidade de Itajubá, Minas Gerais.
No dia 19 de fevereiro de 2010, fomos finalmente conhecê-las, pois não as conhecíamos nem mesmo por fotos, e buscá-las. Foi burocrático, mas no fim deu tudo certo”.

Hoje, as meninas, com dez e oito anos, são parte muito importante na vida do casal e de toda a família.
Não há o que discutir: são nossas”.
No entanto, nem sempre foi fácil assim. De acordo com a analista de sistemas, a chegada das meninas causou um turbilhão de sentimentos e mudanças, em um período de conhecimento e adaptação, tanto para a família adotiva, quanto para elas mesmas. “Felizmente, tivemos orientações de profissionais que foram muito humanos e souberam como nos ajudar”, frisa. “Hoje, já não é mais possível imaginar a vida sem elas, nossas filhas, pelas quais sentimos muito orgulho”, acrescenta.
Iva relata, ainda, que o fato de as meninas não terem sido geradas por ela é apenas um detalhe. “é a menor das partes”, conta. “Eu sou mãe e elas são minhas filhas”. Segundo Iva, é como se as meninas sempre tivessem sido dela.
Costumo dizer a elas que a cegonha deixou-as no lugar errado. Um filho é um filho, independente de ser biológico ou não, e sempre precisa ser adotado, acolhido, cuidado, amado, educado e protegido”.
Para quem pensa em adotar algum dia, Iva tem sua história para compartilhar. “Não tenho conselhos para dar, mas tenho a minha experiência para relatar”, conta. “Adoção é um assunto sério e delicado, por isso, quem pensa em adotar precisa ter isso muito bem resolvido consigo mesmo, para não gerar problemas na(s) criança(s)”.

Na opinião de Iva, nos cadastros preenchidos, infelizmente a grande maioria das pessoas coloca uma série de exigências em relação a cor da pele, cabelo, olhos e no quesito idade.
Vendo isso, me questiono se essas pessoas realmente estão dispostas a adotar, já que parece que querem uma criança o mais parecido consigo para esconder do mundo que o filho não foi gerado biologicamente por elas. Toda criança deseja e merece um lar, uma família, independente da idade que tenha”.
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Em 2015, o caderno Mensagens de Natal, da Folha do Mate, emocionou os leitores com histórias de adoção. São pais e filhos que contam seus relatos, e mostram que a verdadeira mágica natalina é o amor.