No Dia Mundial da Doação de Sangue, e dois dias depois do atentado à boate Pulse, em Orlando, um assunto polêmico, e que certamente colabora para a manutenção do preconceito e da homofobia: por lei, ‘homens que tiveram relações sexuais com outros homens’ não podem ser doadores de sangue.
Na prática, isso significa que dezenas de litros de sangue ~saudável~ são desperdiçados devido a uma ideia pré-concebida ~e que não é condizente com os dias atuais~ de que gays são mais promíscuos e menos cuidadosos do que uma pessoa hétero.
Para poder doar sangue ~que vamos lembrar, é um ato nobre e muito necessário~, muitos homossexuais são obrigados a mentir sobre sua orientação sexual.
Felizmente, há instituições que adotam uma postura diferente em relação ao assunto. Enfermeira responsável por um banco de sangue localizado no Rio Grande do Sul, Daiana Keller explica que, embora a lei discrimine o tipo de relação sexual (homem com homem), existe margem para a interpretação.
A profissional explica que a lei vem de uma época em que o HIV se disseminou muito entre os gays, mas que hoje ~e convenhamos, sempre~, não há como afirmar, de antemão, que um homossexual terá alguma doença sexualmente transmissível, enquanto um hétero não.
Hoje, abordo homossexuais como se fossem héteros, converso com eles sobre relações sexuais com parceiros únicos, tempo de relacionamento e uso de preservativo”, destaca.
A postura adotada por esta instituição, no entanto, não é comum em muitos lugares. Para chamar atenção sobre isso, foi criada a campanha Wasted Blood, ou Sangue Desperdiçado, a qual traz relatos de homossexuais que foram barrados de doar sangue, em função de sua orientação sexual.
Um dos depoimentos, por exemplo, traz a história de um homem que precisava doar sangue para a mãe, internada na UTI de um hospital, e não pode fazê-lo por ser gay.
“Tenho uma relação estável, de quase dez anos, monogâmica”, disse.
>> Assista ao vídeo completo da campanha:
A campanha Wasted Blood também criou uma fila virtual, em seu site, para que homossexuais possam se colocar a disposição para doar, e assim, mostrar o quanto de sangue é potencialmente desperdiçado por conta da homofobia.
Um assunto que merece atenção, e que quando vencido, será um passo a mais para a igualdade de direitos.
Orientação sexual não dita comportamento, caráter ou condições de saúde. Vale lembrar-se sempre disso!

