Foto: Divulgação / Agência CâmaraEx-deputada federal Fátima Pelaes
Ex-deputada federal Fátima Pelaes

Futura Secretária Nacional de Políticas Públicas para Mulheres (o anúncio não foi feito oficialmente, mas ela já apareceu ao lado de Michel Temer em reuniões), a ex-deputada federal e socióloga Fátima Pelaes é contra o aborto, inclusive em casos extremos, como o estupro. Sua posição é bem diferente de antigas secretárias, que tinham opiniões mais liberais e defendiam o aborto, ainda mais em casos como estes. 

Fátima Pelaes, em 2010, fez um pronunciamento na Câmara contando sua história. Na época, a ex-deputada contou que era fruto de um estupro e que sua mãe até havia pensado em abortar, mas desistiu. Por esta razão, Fátima defende que sempre é possível ‘dar um jeito’ e que, por isso, o aborto não deve ser feito em nenhuma circunstância.

Nada contra a opinião da ex-deputada, longe disso. Entendo seu posicionamento, compreendo sua história (na medida do possível) e acredito que defender esse ponto de vista faça parte de suas crenças. No entanto, minha cara Fátima Pelaes, a senhora não me representa. Nem a mim, nem a milhares de mulheres que já foram e continuam indo às ruas para clamarem por seus direitos.

A senhora não nos representa, pois não entende que o aborto é caso de saúde pública. A senhora não nos representa, pois não compreende tudo que envolve essa decisão que cabe, apenas, a vítima. A senhora não nos representa, pois não ouve nossos pedidos, nossos gritos e desejos. A senhora não nos representa, pois está – quase – a frente de uma Secretaria que deve representar TODAS as mulheres, mas que não irá fazê-lo de forma completa e verdadeira. A senhora não nos representa de forma alguma!

Aborto é caso de saúde pública, sim. Por isso, mais do que nunca, deve ser discutido, debatido e levado a sério. Mulheres (geralmente pobres) morrem todos os dias porque resolvem fazer o aborto em clínicas clandestinas, pois não tem outra opção. O aborto clandestino é uma realidade, ainda mais quando as mulheres não encontram apoio nem leis que as ajudem ou auxiliem em caso de estupro e, consequentemente, do desejo de abortar.

O assunto não é simples e vai além do que muita gente conhece ou acredita conhecer. é preciso pesquisa, para, de fato, entender tudo que envolve essa escolha que deve ser exclusivamente da mulher, vítima do abuso.

Cara Fátima Pelaes, desejo, do fundo do meu coração, que a senhora repense seu posicionamento e não deixe suas crenças falarem mais alto do que a saúde, a vontade e os desejos de milhares de brasileiras que vão continuar indo às ruas. Como nossa – futura – representante, peço que, por favor, nos ouça, nos entenda e nos ajude!