
O processo da adoção pode ser complicado e lento. é preciso determinação por parte dos pais adotivos, para levar todo o procedimento adiante com calma, compreensão e muita paciência. Mais do que dar um sobrenome a criança e passar a ter um filho para cuidar, é importante oferecer amor, carinho, educação e muita alegria para as crianças adotadas. Para isso, portanto, o acompanhamento de profissionais qualificados é essencial.
De acordo com a advogada, que acompanha processos de adoção, Angela Maria Faleiro, o primeiro passo para a realização da adoção é a habilitação, ou seja, verificar se os candidatos são pessoas capazes de exercer a maternidade ou paternidade, através de entrevistas, conhecimento mais aprofundado dos candidatos e certificação da capacidade do pretendente à adoção. “Estando devidamente habilitada, a pessoa entrará em uma fila (local e nacional) a espera do filho tão sonhado, de acordo com as características fornecidas pelos pretendentes”, explica Angela.
Há, ainda, segundo a advogada, a possibilidade da realização da adoção direta, também chamada de ‘intuito personae’, na qual os pais biológicos determinam para quem desejam entregar seu filho. “Nesses casos, os pais procuram a Vara da Infância e da Juventude, acompanhados dos pais adotivos, através de um pedido judicial, para legalizar uma convivência que já esteja acontecendo de fato”, relata.
No entanto, esse tipo de adoção é muito polêmico, havendo dificuldade para avaliar se a escolha dos pais biológicos é voluntária ou induzida, ou, ainda, se os pretendentes são adequados. Por isso, há a necessidade de avaliar caso a caso. “Contudo, sempre há a importância da preservação dos laços afetivos já existentes entre a criança e os pais adotivos”, acrescenta a advogada.
Adoção é doação. Os filhos adotados são gerados não no ventre, mas no coração
Quanto ao tempo de duração de um processo de adoção, Angela comenta que é muito relativo, dependendo de diversos fatores. “No entanto, o principal fator na demora de uma adoção é por causa das características da criança escolhida no momento da habilitação, pois a maioria dos pais querem crianças recém-nascidas, brancas e sadias”, revela a profissional.
“Quando a escolha se dá por crianças já maiores, acima de cinco anos, por exemplo, o procedimento acaba sendo mais rápido, pois existem muitas crianças acima dessa idade aguardando para irem para uma família”, acrescenta.
Angela ressalta, ainda, que gostaria que toda criança tivesse uma família, um lar de verdade, independente se for família biológica ou de coração. “Me sinto triste em ver tantas pessoas querendo adotar, dar amor incondicional a um filho, e, por vezes, pela morosidade do sistema, não conseguir”, comenta.
“é triste, também, ver tantas crianças crescerem sem família, tornando-se crianças inadotáveis, pois, com o passar dos anos, acabam sendo apenas filhos de abrigos”.