Conheço dezenas de pessoas que já viajaram sozinhas para o exterior. Minha família também. Mas por algum motivo, quando foi a minha vez, a galera surtou: E se furar um pneu? E se você quebrar uma perna? E se desmaiar? E se sofrer um acidente? E se encontrar um serial killer pelo caminho?
A lista de poréns era grande, tão grande quanto a minha convicção em fazer essa viagem solo.
Mas a verdade é que, exageros à parte, todas as coisas listadas acimas são bem possíveis de acontecer. Acontecem com qualquer um, seja atravessando a esquina de casa, seja do outro lado do mundo. No meu caso, a apreensão era maior pelo formato da viagem, um mochilão que compreendia cerca de uma dezena de cidades da Califórnia, nos Estados Unidos. Não havia uma referência fixa para ligar, como uma homestay ou uma escola.
A meu favor, a primeira parte da viagem: antes de seguir sozinha, passei alguns dias acompanhada na Flórida, o que ajudou muito a estar bem ambientada com o país e, principalmente, com o trânsito, já que boa parte do trajeto seria feita com um carro alugado. Ainda, adotei algumas outras precauções, que listo abaixo e deixo de dica para quem vai viver uma experiência como essa.
Muita coisa talvez pareça exagero, mas já ouviu aquela expressão ‘não dar chance para o azar’?
Pois bem, aí vai:
Cópia do passaporte e do seguro bem visíveisDeixava esses documentos em lugares acessíveis na mochila ou no carro. No caso de um acidente ou possível perda de conciência (hehehe), seria possível ao menos saber quem eu sou, a nacionalidade (vai que precisam envolver o governo brasileiro na história) e os dados de acesso ao meu seguro saúde. Nos papéis do seguro, também anotei um número de emergência, para entrarem em contato com a família, se necessário.
Dica: O Tudo & Todas é afiliado da Real Seguro Viagem. Para fazer uma cotação com a empresa, clique aqui.
Roteiro prévioSou daquele tipo de pessoa que vive a viagem antes da viagem. Passo horas pesquisando sobre o destino, roteiros, dicas de passeios, possíveis imprevistos e qualquer outra informação que algum site de turismo ou blogueiro queira me fornecer. Por isso, montei um roteiro prévio detalhado com todos os lugares onde me hospedaria e os lugares que visitaria em cada dia. Deixei essa cópia com minha bff e teacher (hey, Josi!), já que, se fosse necessário alguma ligação em inglês, ela se responsabilizaria.

Dar sinal de vida para a famíliaEm geral, sempre dava um oizinho no WhatsApp pela manhã, quando falava sobre os planos do dia, e à noite, quando chegava no hotel para dormir. Pobre de quem estava no Brasil, pois o fuso horário da Califórnia está 6 horas para trás.

Checar as portasOk, confesso que essa dica já faz parte da paranoia brasileira tão enraizada em nossa cultura. Fiquei hospedada nos típicos móteis americanos (o nome é o mesmo, mas não tem o mesmo uso brasileiro, ok? Hehe), em que os prédios são térreos e se estaciona o carro na porta do quarto. Por isso, sempre conferia mais de uma vez a tranca das portas. Em geral, os quartos tem a porta principal, e uma porta-janela, que dá para o pátio interno do local. Ao chegar e sair do quarto, sempre dava aquela testadinha, para ver se estava tudo bem fechado.

Dica: Se você fizer o roteiro na Highway 1, provavelmente vai dormir próximo a cidade de Monterey. O hotel da foto acima é o Monterey Bay Travelodge, com acomodações bem confortáveis e uma diária bem amigável (paguei por volta de U$ 50).
Evitar lugares desertosComo fiz uma rota costeando o Oceano Pacífico, tive a oportunidade de visitar parques nacionais e estaduais. Nesses lugares, cercados de natureza selvagem, tomava o cuidado de me manter nas trilhas principais, e portanto repletas de turistas, e de não me aventurar muito perto de rochedos ou outros lugares que parecessem perigosos. Em um deles, depois de entrar e ver que estava praticamente deserto, dei meia volta e fui embora, mesmo com a promessa de trilhas interessantes. Melhor perder U$ 10 de estacionamento, do que ser raptada em uma trilha no meio do mato. (Sim, paranoia #ModeOn)


Cuidar do passaporte e do dinheiroQuando ficava mais de um dia em um hotel, deixava o passaporte original chaveado dentro da mala. Se eu estivesse em viagem, sempre carregava o documento comigo, evitando deixá-lo no carro. Ainda, carregava o maior volume de dinheiro em uma doleira junto ao corpo. Também tinha um cuidado redobrado com o celular, já que todas as minhas fotos e vídeos estavam ali dentro, e seria uma grande pena perdê-los.
Em um dos destinos fiquei em um hostel, e pode parecer exagero, mas levava dinheiro e documentos comigo, na hora do banho. Mesmo entre viajantes com um mesmo perfil, nunca se sabe quem está dormindo no beliche ao lado. (Sim, paranoia #ModeOn again)

Dica: Em San Francisco, fiquei no hostel HI Downtown San Francisco, um local com estrutura muito bacana. Dei sorte de conhecer pessoas de todas as partes do mundo, o que com certeza, enriqueceu muito a experiência. A diária também foi excelente, considerando a localização e o café da manhã incluso: cerca de U$ 50.
***
Exagero ou não, o certo é que a viagem transcorreu sem nenhum contratempo e pude aproveitar cada minuto para conhecer novos lugares e pessoas. Além disso, passei a recomendar fortemente a experiência de colocar uma mochila nas costas e viajar sozinho. é claro que, em relação a segurança, países desenvolvidos oferecem muito menos riscos relacionados à criminalidade. Se o destino for um país em desenvolvimento, confesso que vou pensar duas vezes em estar forever alone.
Mas por experiência própria, com planejamento e bom senso, é possível curtir muito (e com segurança) cada momento da viagem, mesmo que você seja a sua única companhia.
E você, tem histórias de paranoia #ModeOn e dicas de segurança para contar?
Escreva para nós nos comentários!