Silvio Jaeger, 60 anos, escolheu a Cidade das Orquídeas para empreender (Foto: Taís Fortes/Folha do Mate)

Aos 60 anos, Silvio Aurélio Jaeger coleciona diversas histórias e experiências. Natural de Campo Bom, município do Vale do Rio dos Sinos, foi em Venâncio Aires e em Mato Leitão que ele e a esposa, Susete Fernandes Jaeger, 57 anos, decidiram criar raízes. Morador da Capital Nacional do Chimarrão há quase 30 anos, o casal é proprietário da SS Orquídeas, orquidário comercial localizado na RSC-453, em Mato Leitão.

Tecnólogo em produção de calçados e graduado em Administração, a trajetória profissional de Silvio começou na indústria calçadista. Em Sapiranga, ele trabalhou na Calçados Orquídea e nesse período foi convidado para assumir a gerência-geral das duas filiais da empresa em Venâncio Aires, onde autuou por aproximadamente seis anos. Antes disso, por quase uma década, ele foi professor do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), em Novo Hamburgo.

Enquanto já morador da Capital Nacional do Chimarrão, Silvio teve passagem pela Calçados Carnella. Em 1997, o campo-bonense foi convidado para trabalhar na Artecola, indústria química que presta serviços para a área calçadista. Apesar de atuar em Campo Bom, Silvio e a esposa continuaram morando em Venâncio Aires e, durante quase dez anos, ele se deslocava, semanalmente, para a cidade da região metropolitana. Enquanto atuava nessa empresa, Silvio teve a oportunidade de viajar a trabalho para a Europa e países da América Latina.

UNIVERSIDADE

Dois anos antes de se desvincular da Artecola, Silvio decidiu retomar a carreira de professor. Para tornar isso possível, ele iniciou um mestrado em Gestão Ambiental. Nesse mesmo período, abriu uma empresa de assessoria industrial em Venâncio e passou a assessorar empresas calçadistas, sempre com o foco na área produtiva.

Foi em julho de 2009, que o administrador iniciou sua história como professor universitário, ofício que segue desempenhando. Atualmente, ele concilia a rotina de colecionador de orquídeas e empreendedor, com as atividades de docente na Universidade de Caxias do Sul (UCS) em três campus: Cidade Universitária, em Caxias do Sul, campus do Vale, em São Sebastião do Caí e no campus da Região das Hortênsias, em Canela. “Gosto do contato com os alunos. O ambiente da universidade é sempre muito inovador e essa é uma forma que encontro para me manter conectado, pois a gente está sempre se atualizando, não fica parado no tempo. Isso é algo que me move”, relata.

Silvio é vinculado ao Departamento de Administração da UCS e ministra disciplinas nos cursos de Administração de Empresas, Gestão em Hotelaria e Gestão Comercial e Marketing. Durante a história que construiu na universidade, o docente foi convidado para ser paraninfo 16 vezes, e em quatro ocasiões foi professor homenageado. “Isso é bacana, porque é um reconhecimento”, destaca.


“Acho que a gente não pode passar a vida em branco. Temos que construir alguma coisa que seja boa para todos, para o bem comum.”

SILVIO JAEGER


ORQUÍDEA

“A orquídea fez parte de toda essa trajetória”, afirma Silvio. De acordo com ele, a relação dele e de Susete com a planta teve início há, pelo menos, 20 anos, quando eles participaram de uma exposição na Sociedade de Leituras, em Venâncio. “Na época, o então presidente do Nova [Núcleo de Orquidófilos de Venâncio Aires, Mato Leitão e Passo do Sobrado], nos convidou para integrar a associação. Participamos da reunião, gostamos e já nos associamos ao núcleo”, relembra.

A partir disso, Silvio e Susete começaram a cultivar a planta e a participar de exposições do gênero. “Sempre gostei de flor. E a orquídea sempre achei, além de uma flor bonita e muito colorida, uma flor exótica e perene. Além disso, o meio orquidófilo é um espaço em que as pessoas se dão muito bem e há reciprocidade”, observa. Na trajetória como integrante do Nova, Silvio já ocupou o cargo de secretário do núcleo durante dois anos e o de presidente por duas gestões.

No período à frente da entidade, ele teve a oportunidade de participar da criação da Festa das Orquídeas, de Mato Leitão, e ainda acompanhar a realização da segunda edição do evento. “A exposição de Mato Leitão sempre foi muito prestigiada, em especial, porque a cidade é pequena e acolhedora. As pessoas sempre receberam muito bem os visitantes. No estado, ela sempre foi uma referência em função disso: uma cidade pequena com uma grande exposição”, avalia.

Nos dois últimos anos em que foi presidente do Nova, Silvio também assumiu a responsabilidade de presidir a Federação Gaúcha de Orquidófilos durante quatro anos. Atualmente, ocupa o cargo de secretário da entidade estadual. “Durante o período como presidente da federação, dei continuidade, de forma intensa, ao trabalho de revisão de toda a classificação e categorização das orquídeas para fins de julgamento no estado. Esse material estava há 40 anos sem ser atualizado. Hoje, esse regulamento é seguido em todo o estado”, explica.

Susete e Silvio são companheiros de vida há 40 anos e compartilham do amor pelas orquídeas (Foto: Taís Fortes/Folha do Mate)

ORQUIDÁRIO COMERCIAL 

  • No fim do ano passado, Silvio e Susete inauguraram o SS Orquídeas em Mato Leitão. No local, além da comercialização da planta, são realizadas oficinas práticas, uma vez por mês, relacionadas ao cultivo ou sobre pragas e doenças. Moradores de diversos municípios da região costumam passar pelo empreendimento.
  • Para a construção do orquidário, o casal contou com o incentivo da Prefeitura, a partir da concessão de um terreno na área do Distrito Industrial do município e a preparação do local para receber a estrutura. “Estamos muito felizes. Tudo foi muito planejado e não poderíamos ter tido uma acolhida melhor em Mato Leitão. Sentimos que as pessoas estão contentes e nos apoiam”, comenta Silvio.
  • Neste ano, o casal já recebeu a visita de quatro turmas de estudantes de escolas de Mato Leitão que foram até o orquidário conhecer mais sobre a planta. Além disso, Silvio também faz visitas em escolas para auxiliar a ampliar o conhecimento dos alunos sobre as orquídeas. “Temos que incentivar e manter essa tradição aqui”, pondera.

COLEÇÃO 

Silvio e Susete têm em casa, no bairro União em Venâncio Aires, um orquidário onde cultivam cerca de quatro mil pés de orquídea que integram a coleção do casal. Os dois costumam participar de diversas exposições do gênero. Em muitas delas, Silvio é convidado para ministrar palestras sobre os aspectos técnicos da planta. “Orquídea é vida, é alegria. Quando colecionamos orquídeas, também nos tornamos colecionadores de amizades”, salienta Susete. “A flor, sobre um certo aspecto, representa paz e cultivo de amizades. Significa a construção de uma forma de ser’, complementa Silvio.

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