Diretor mostra a queda nos valores repassados, de 2014 até 2019, sendo que a inflação e o número de alunos subiram (Foto: Alvaro Pegoraro)

O corte de verbas anunciado pelo Governo Federal em abril, atinge, diretamente, universidades e institutos e aflige os alunos, professores e pais. Em Venâncio Aires, estudantes do Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSul), prestes a terminar o 4º ano, temem não conseguir se formar. Com a diminuição do recurso, o campus tem dinheiro para funcionar, normalmente, apenas até setembro.

Aluno do último ano do curso técnico em Informática, Theo de Lima Goes, 19 anos, tem medo pelo futuro das faculdades e institutos federais. O jovem sonha em cursar Psicologia, em Amsterdã, na Holanda, porém, com todos esses cortes e a incerteza de se formar ainda neste ano, o sonho pode ser adiado.

“Meu medo é precisar adiar meus planos e viver à mercê de uma política incerta que não me passa segurança”, lamenta. Além de Theo, quase 70 alunos que estão concluindo o Ensino Médio passam pela mesma situação.

Com o corte do recurso de custeio, o instituto deve receber 37,1% a menos do previsto para o ano. O orçamento projetado é de R$ 1.698.500,00, dos quais R$ 1.529.909,53 são reservados para pagamento de contratos e despesas programadas.

Por conta da redução da verba, apenas R$ 1.068.356,50 devem entrar no caixa, o que representa um déficit de R$ 461.553,03 no valor previsto para pagamento das despesas obrigatórias (principalmente contratos) do campus.

Se for considerado, também, o recurso para custeio previsto no orçamento, utilizado para bolsas extras de pesquisa e extensão e para compra de material expediente e consumo, como ferro, gases, fios e demais materiais para aulas práticas, a diferença entre o valor previsto e o que será recebido ultrapassa R$ 630 mil. Até o momento, apenas 48% do valor total do orçamento foi repassado ao campus.

Theo: “Eu acabo tendo um vácuo nas minhas decisões, por não ter certeza se vou me formar” (Foto: Alvaro Pegoraro/Folha do Mate)

O diretor-geral do IFSul Venâncio Aires, Cristian Oliveira da Conceição, afirma que o objetivo da instituição é tentar seguir com todas atividades e prestações de serviços até setembro, mas observa que já foi necessário o corte de bolsas, diárias, viagens, visitas técnicas e correios.

Ele comenta que é lamentável ter que pensar em demitir funcionários terceirizados, que atuam na recepção, vigilância e limpeza do campus. “Essas pessoas que trabalham aqui precisam do dinheiro, a maioria precisa sustentar família”, destaca.

PERSPECTIVA

O plano atual é que, quando o recurso para manter o campus termine, as aulas sejam continuadas mesmo sem água, luz e todas necessidades básicas. Porém, como é uma escola técnica, que usufrui de prática, sem essas condições não se consegue manter as aulas normais, com todas atividades.

“Somos uma escola técnica, somos tecnologia e precisamos dela”, acrescenta o diretor, que assim como os demais servidores, tem trabalhado com a luz apagada tentando reduzir o gasto com energia elétrica.

No mês de setembro, também termina o contrato com a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), que, através do Governo Federal, dispõe a internet ao campus.

“Manter o IFSul vale a pena. Queremos mostrar para as pessoas que ainda vale a pena pagar imposto para algumas coisas.”

CRISTIAN OLIVEIRA DA CONCEIÇÃO

Diretor-geral do campus

 

MOVACI NÃO DEVE ACONTECER

A tradicional Mostra Venâncio-airense de Cultura e Inovação (Movaci) promovida pelo instituto, que ocorre anualmente, foi cancelada. Neste ano, 14 campus do IFSul estariam participando do evento, pois além da feira municipal, aconteceria a mostra de todos campus em Venâncio Aires.

>> 600 é o número de alunos do IFSul Venâncio Aires. A instituição iniciou as atividades no município em 2008. O investimento anual por estudante é, em média, R$ 15.725.

Colaboração: Juliana Bencke

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