Luciano Quintana de Carvalho atesta aumento da comercialização do mel por causa do frio. (Foto: Álvaro Pegoraro/Folha do Mate).

O frio intenso verificado nas últimas duas semanas influenciou diretamente o aumento das vendas e do consumo de mel. “Isto ocorre pelo fato de as pessoas tomarem mais café, ficarem mais por casa e, com isso comerem mais. O mel, como contém dezenas de propriedades nutracêuticas, é propício para este tipo de clima que estamos vivendo nas últimas semanas. Ele auxilia no tratamento e na prevenção de diversas doenças comuns do inverno”, destaca o presidente da Associação Venâncio-airense de Apicultores (AVA), Luciano Quintana de Carvalho.

Ele ressalta que o inverno rigoroso é favorável para o aumento do consumo do mel e, quanto mais frio, maiores são as vendas, pois as pessoas começam a consumir para diversas finalidades, como alimento e prevenção de doenças. O aumento nas vendas vem sendo notado nas quatro feiras que são realizadas por semana no espaço da Cooperativa de Produtores de Venâncio Aires (Cooprova), localizado nas esquinas das ruas Tiradentes e General Osório, nos fundos da Prefeitura, e nas feiras aos sábados, nos bairros.

Carvalho também viu o reflexo nos mercados que são abastecidos pela AVA. “Houve um aumento considerável no consumo interno, praticamente não precisando ir buscar mercados fora do município para comercializar o que é produzido aqui. E a AVA tem abastecido praticamente todos os mercados de Venâncio Aires, pois se vê pouco mel vindo de fora”, diz.

QUALIDADE

Esta procura, segundo Carvalho, comprova a qualidade do produto e a confiança que os consumidores têm no mel da AVA. O que garante a certeza de que os consumidores estão adquirindo um produto de qualidade e de procedência é o rótulo, pois ali constam as inscrições no Sistema Unificado de Sanidade Agroindustrial Familiar, Artesanal e de Pequeno Porte (Susaf), no Sistema de Inspeção Federal (SIF) e Serviço de Inspeção Municipal (SIM), além do nome do produtor e o telefone de contato.

“Se o produto não estiver de acordo com o que tem no rótulo, vai responder por isso e arcar com as consequências se comercializar um produto sem qualidade e procedência duvidosa”, observa. Além disso, o produto é fiscalizado e constantemente passa por análises que atestam a qualidade. Ainda há o acompanhamento e laudo técnico emitido por um médico veterinário. Esta fiscalização certifica que o produto é de origem da abelha, ou seja, é puro.

“Quando alguém vem comercializar mel de porta em porta, as pessoas precisam desconfiar, ainda mais quando não se sabe a origem. O preço do nosso mel não é tão caro, pois aquele que vende de porta em porta, pratica o mesmo valor, e os consumidores precisam ficar atentos e desconfiar quando está barato demais, pois quem cria abelhas, tem um custo de produção muito alto”, explica o presidente da AVA.

CRISTALIZAÇÃO

Carvalho desmistifica a questão da cristalização do mel, pois muitas pessoas acreditam que quando isto ocorre, ele não é puro. “É bem o contrário, pois todo mel puro cristaliza”, reforça, explicando que após algum tempo, em temperatura baixa, há processos para retardar ou acelerar a cristalização. Em temperatura muito baixa e constante, mais rápido se processa a cristalização. Bolhas de ar incorporadas ao mel aceleram este processo. Outro fator que acelera é o alto teor de umidade, o que também favorece a fermentação. “Para não fermentar, o índice de umidade deve variar entre os 16% e os 18%. E com isso, ele dura mais tempo”, complementa.

“Uma das maiores provas do mel ser puro, é ele cristalizar.”

LUCIANO QUINTANA DE CARVARLHO

Apicultor e presidente da AVA

Saiba mais

• Palestra: No dia 26 de julho, a partir das 19h, na residência de Carvalho (rua Conde D´Eu, 936, no Centro), vai ocorrer uma palestra com o apicultor, produtor de rainhas e pesquisador Décio Sehnem, de Passo do Sobrado. Ele vai falar sobre a introdução de realeiras e rainhas. Sehnem atualmente é o fornecedor de rainhas para os apicultores associados da AVA.

• Produção: A expectativa dos apicultores é que ainda continue fazendo bastante frio para manter as vendas aquecidas e que não chova muito nos meses da primavera, pois muita chuva, prejudica as floradas. Com isso, reduz a oferta de alimentos para as abelhas, o que tem reflexo direto na produção, a exemplo do que ocorreu na safra do outono, quando o excesso de chuvas do verão prejudicou as floradas e ocorreu uma quebra superior a 50% na produtividade. “Em compensação, na safra da primavera/verão, colhemos uma safra cheia, o que garante termos o produto até a colheita da próxima safra e, também, colhemos algo na safra do outono. Mel não vai faltar”, garante Carvalho.

R$ 17

é o preço do quilo do mel em potes de um quilo, já em potes de cinco quilos o valor é de R$ 15.

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