Meerrettich: uma tradição antiga presente na mesa das famílias do interior

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Uma tradição forte que vem se mantendo no interior e que passa de geração à geração é o cultivo do crem, também conhecido como raiz-forte ou meerrettich. Uma salada muito utilizada nas casas desde a antiguidade e que tem poucos segredos no preparo e cultivo.

Mãe e filha ainda cultivam o costume em Linha Arroio Grande. Adélia Posselt, 69 anos, conheceu o crem com a sogra, em Linha Isabel. “Eu era nova e ela me deu umas mudas e me ensinou a cultivar. Depois, isso passou a fazer parte do nosso almoço e segue até hoje”, conta.

Adélia ensinou a filha Marlene Willms, 50 anos, e hoje a produção é em família. “Com a idade, não posso mais ir na roça, então minha filha fica responsável por plantar e colher. Eu preparo ele depois.”

Adélia frisa que a época para o plantio é de agosto a setembro. “Quando a gente colhe as raízes, já tem que pegar os brotos e plantar de novo. Dessa forma, de um ano para o outro, a gente garante as mudas”, explica a aposentada.

Desde jovem, ela cultiva o crem para o consumo próprio e da família, entretanto, no últimos anos,|tem aumentado a produção e comercializado. “Vem pessoas de longe comprar alguns vidros ou até mesmo as raízes. É difícil achar quem ainda cultiva. Ano passado, vendemos uns 80 quilos em raiz e uns 50 vidros de café com o meerrettich ralado”, conta Marlene.

A colheita sempre se inicia nos meses de março e abril, mas Adélia frisa que pode ser cultivado o ano todo. “Se a terra é boa e não acumula muita água, ele se mantém o ano todo. Mas, se chove muito, ele apodrece debaixo da terra. Como tudo, ele também depende do clima”, cita.

Os vizinhos de Adélia, na época em que morava em Linha Isabel, sempre cultivavam o meerrettich. “Antigamente, quando alguém ia casar, algumas famílias tinham muito na roça, daí o casal ia lá e arrancava as raízes. O meerrettich é salada de casamento e quermesse até hoje na nossa região”, observa.

Cultura

Conforme o chefe do escritório local da Emater-RS/Ascar, Vicente Fin, a cultura do crem vem dos descendentes germânicos. “Naquele época trouxeram as mudas com o objetivo de subsistência, assim como trouxeram temperos e plantas medicinais.”

Fin cita que hoje algumas famílias ainda cultivam o meerrettich, mas o objetivo é consumo próprio. “Algumas famílias vendem o produto dentro das suas propriedades. Mas não temos agroindústria que comercializa o produto pois não tem uma demanda tão expressiva.”

“É uma salada muito gostosa, mas dá bastante serviço para limpar, picar e moer. Às vezes, a gente até chora junto, de tão forte que é. Mas aqui em casa não falta na mesa.”

ADÉLIA POSSELT
Agricultora aposentada

Preparo e cultivo

O crem é uma raiz que, após ser colhida, precisa ser descascada, deixando apenas a parte branca. “Depois, precisa picar em pedaços pequenos e bater no liquidificador. Mas tem que ser em quantidade pequena, se não, nem dá certo”, explica a agricultora aposentada Adélia Posselt.

Ela comenta que o preparo é feito em etapas, depois de processado, o crem pode ser colocando em potes de vidros e ser coberto com vinagre, de preferência. “Tem anos que a gente lava ele e guarda picado no freezer, quando precisa é só moer no liquidificador e preparar.”

Adélia também alerta que, quando se rala a raiz-forte, ela deve ser, imediatamente, misturada com vinagre, pois a raiz exposta ao ar e calor escurece e perde o sabor, além de ficar amarga. Na casa da família, o crem é utilizado como salada. “A gente come com feijão, arroz, sopa, carne, com tudo”, lembra a filha de Adélia.

Produção

Esse ano, Marlene Willms tem a expectativa de plantar mais de 500 mudas do meerrettich, destes, um terço já está na lavoura. “É uma cultura bem sensível, não pode usar veneno perto e nada de adubo químico, que ele apodrece. O segredo é usar bastante esterco e ter um cultivo natural”, cita. Esse ‘segredo’ da família garante raízes que, após limpas e raladas, garantem meio quilo de salada pronta.

Na safra passada, a estiagem também castigou as raízes mais tardias. “O que tinha raiz fraca secou. Tivemos uma quebra grande, ele deu metade de rendimento que daria em anos normais. O clima não foi favorável”, comenta Marlene, que é responsável pelo plantio e colheita.

Curiosidade

O meerrettich ainda é muito tradicional em quermesses e festividades no interior do município. Em algumas localidades, a quermesse é conhecida devido à salada e sua tradição.

 

Saiba mais

A raiz-forte tem como nome científico Armoracia rusticana. Ela é rica em vitamina C e é utilizada como condimento ou tempero quando ralada.

Raiz precisa ser ralada para ser consumida(Foto: Divulgação)
Planta da raiz-forte é encontrada em propriedades do interior (Foto: Divulgação)

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