Entrevista: a importância de manter o equilíbrio emocional em tempos de crise

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Em situações de pandemia, o clima de incerteza atinge o emocional das pessoas. O aumento dos casos de coronavírus pelo mundo e a necessidade de isolamento social têm gerado medo, ansiedade e insegurança a muita gente.

A coordenadora do mestrado em Psicologia da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc) e líder do grupo de pesquisa em Envelhecimento e Cidadania, Sílvia Virgínia Coutinho Areosa, explica como as pessoas podem controlar as emoções, durante o período de isolamento social. Além disso, destaca a importância de manter uma rotina e ressalta os cuidados especiais com os idosos.

Folha do Mate: É comum que as pessoas tenham insegurança e se sintam desorientadas diante da pandemia do coronavírus?

Sílvia Virgínia Coutinho Areosa: Sim, é bem normal sentir essas sensações. As pessoas estão vivenciando uma situação nova, de muitas incertezas e insegurança. A maioria tem medo de ser contaminada com o vírus e falecer em decorrência disso. Por outro lado, ficar afastado dos amigos, familiares e trabalho também é mais um fator que dificulta a situação. Além disso, a falta de notícias positivas mantém as pessoas mais estressadas e com a saúde mental abalada.

Como manter o equilíbrio emocional diante destas circunstâncias?

As pessoas devem ficar em casa para manter o isolamento social. Contudo, é preciso seguir uma rotina. Elas não podem se comportar como se estivessem doentes e ficar o dia todo de pijama, por exemplo. É preciso fazer um planejamento e realizar diferentes atividades: fazer arrumação na casa, dedicar um tempo para estudar ou trabalhar, ter um horário para o lazer – para não pensar o tempo todo na crise – e fazer atividade física, entre outras ocupações.

O que os idosos devem fazer para não sofrer com os impactos do isolamento social?

No caso dos idosos, é importante que a família mantenha o contato frequente, seja por telefone, WhatsApp ou videochamada. Se possível, o indicado é fazer isso todos os dias ou intercalar entre um dia e outro. Desta forma, eles não se sentem sós e têm mais segurança em saber que há pessoas preocupadas com eles. Os idosos têm uma tendência maior a sofrer depressão, pois fazem parte do grupo de risco e têm mais facilidade para se abaterem, em decorrência desta situação.

Como agir para convencê-los da importância de permanecer em casa?

Percebo que a maioria das pessoas que recebem apoio psicossocial, como o do grupo de profissionais da Unisc, já estão convencidas da necessidade de permanecer em isolamento. Entretanto, os idosos que moram sozinhos, muitas vezes, precisam sair de casa porque precisam fazer as atividades essenciais, como por exemplo, ir às compras ou à farmácia. As pessoas devem ter mais solidariedade neste momento e dar suporte àqueles que não devem se expor.

Como ajudar a si mesmo e aos outros em um momento de pandemia?

O desequilíbrio emocional atinge, principalmente, os profissionais da saúde que são pessoas mais vulneráveis nesta situação. Eles estão mais expostos porque lidam com os sentimentos dos outros e com o óbito das vítimas. Se a pessoa se sente muito ansiosa, com dificuldade para dormir e se alimentar, deve procurar um acompanhamento psicológico, que pode ser através das plataformas digitais ou telefone. É importante pedir ajuda para superar a fase e manter as atividades.

Até que ponto é normal sentir o desconforto? Qual é o momento de pedir ajuda?

Sentir medo de ficar doente e de perder o emprego em situação de pandemia é normal. Mas, no momento em que a pessoa não consegue dormir e se alimentar ou tem o hábito de lavar as mãos frequentemente, de forma irracional, já é um sinal de que precisa de ajuda. Enquanto este medo for natural, é comum que as pessoas se ‘abram’ com um amigo ou familiar, porém, quando chegar a este ponto, é preciso buscar apoio de um profissional.

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