Conhecido como slime, amoeba ou até geleca, entre outros tantos nomes, o brinquedo vem sendo febre entre as crianças. Uma massa pegajosa, mole, colorida e até com glitter. A moda vem dominando a internet com receitas e texturas diferentes.O slime é a ‘gourmetização’ da antiga geleca, que fez muito sucesso nos anos 80. Em uma rápida pesquisa no Google com o termo ‘vídeo de amoeba’, por exemplo, já aparecem mais de 3,1 milhões de resultados – a maioria receitas caseiras do brinquedo.Além do slime caseiro, há a opção de comprar o brinquedo pronto, por menos R$ 10. O mercado tem entendido o recado da popularização e criado versões em quilos para serem comercializadas. Baldes de um e até cinco quilos já são encontrados para venda.

Foto: Rosana Wessling / Folha do MateGabriela adora o brinquedo, mas não costuma fazer o slime caseiro
Gabriela adora o brinquedo, mas não costuma fazer o slime caseiro

PRESENTE

Gabriela Mohr Haupt, 7 anos, estava assistindo a clipes no Youtube quando viu alguém fazendo o slime. Foi então que pediu de presente para os pais. A menina já teve várias amoebas coloridas e com brilho – uma verdadeira coleção. Mas, com o tempo, ela foi brincando e as melecas foram se desfazendo. A irmã mais nova, Carolina Mohr Haupt, 2 anos, também adora o slime. Juntas elas brincam, mas sempre com a supervisão de um adulto.O pai Gerson Elias Haupt comenta que as filhas nunca fizeram o slime caseiro. Ele sempre preferiu comprar os potes menores. “A vida útil do brinquedo é pequena. Elas brincam um pouco e o slime fica gosmento e se reparte, inclusive gruda na roupa, no cabelo, por isso, precisamos sempre estar atentos.” Haupt ainda explica que as recomendações do brinquedo apontam para maiores de 3 anos. “Como a Gabriela brinca, a Carolina também quer, por isso, sempre que elas brincam com o slime, um adulto fica junto para supervisionar.”A mãe, Carla Mohr, tem truques para ‘reanimar’ a amoeba nas primeiras vezes. “Eu acrescento um pouco de bicarbonato de sódio e água, mas bem pouquinho. Algumas vezes adianta, mas depois de muitas tentativas ela desmancha, dai é melhor não deixar as meninas brincarem com isso.” O slime conta com o selo de garantia de segurança do Inmetro.

 

O significado de slime é algo viscoso ou pegajoso.

 

Dermatologista recomenda supervisão de um adulto

O médico dermatologista e secretário geral da Sociedade Brasileira de Dermatologia do Rio Grande do Sul, André Costa Beber, comenta que não existem restrições da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) à comercialização e manuseio deste brinquedo. “Existe a recomendação para queseja usada por crianças maiores de 3 anos, devido ao risco de ingestão, que, essa sim, deve ser evitada.”O dermatologista enfatiza que existem centenas de sites na internet demonstrando diversas maneiras para fazer o slime. “Com a supervisão de um adulto, é seguro. Quanto aos produtos industrializados, existem órgãos regulatórios que os fiscalizam. O risco de irritação ou alergia existe. Se a criança apresentar alterações na pele após o manuseio, o pediatra ou o dermatologista deve ser consultado”, ensina.André Costa Beber explica que o slime caseiro é composto basicamente por cola branca, espuma de barbear, bicarbonato de sódio e bórax/água boricada, mas podem ser acrescentados corantes, perfumes e glitter. Conforme o profissional, não há problemas em fazer o brinquedo em casa, mas ele alerta para alguns riscos.

Foto: Rosana Wessling / Folha do MateCom supervisão dos pais, Gabriela e Carolina se divertem com o slime
Com supervisão dos pais, Gabriela e Carolina se divertem com o slime

Segundo ele, o produto industrializado contém uma adequada concentração dos seus componentes, o que minimiza o risco de toxicidade. “Claro que o risco de alergia em crianças mais sensíveis não pode ser excluído. Já a manipulação caseira na ‘fabricação’ do slime tem risco, sim, principalmente pelo manuseio do bórax/água boricada. Essa substância, se ingerida ou absorvida pela pele, pode ser tóxica. Por isso, a recomendação da supervisão de um adulto e, melhor ainda, que a manipulação da água boricada seja feita pelo adulto e com luvas de proteção.”Apesar de algumas pessoas acreditarem que o brinquedo seja um vilão, se usado corretamente, pode trazer benefícios. O médico destaca que o slime pode ajudar no desenvolvimento motor da criança, auxiliando a motricidade de forma lúdica. “Sem falar que é uma oportunidade de tirar os pequenos da frente da TV, do tablet e de aparatos tecnológicos”, enfatiza.

“O risco do slime caseiro é a manipulação dos ingredientes por crianças, pois, embora pequeno, existe a possibilidade de irritação, alergias e intoxicação quando do uso excessivo ou inadequado de alguns de seus componentes.”ANDRÉ COSTA BEBERDermatologista