Odisseia perfumada

Inusitado: um fim de semana de música em Sebastianfield! E como o belo recanto do Brasil é rico em coisas invertidas na vida cotidiana, me dou ao luxo de abordar a programação ao contrário: amanhã, às 19h30min, no Clube de Leituras, haverá o espetáculo Cine Show, algo pouco comum nestas bandas. A Orquestra da Comunidade Evangélica local tocará cerca de uma dúzia de músicas – algumas junto de grupo vocal –, num repertório de trilhas sonoras emblemáticas do cinema – de Take My Breath Away, de Top Gun, até Indiana Jones, passando pelos arranjos bombásticos de 2001: Uma Odisseia no Espaço até a singeleza desconcertante de Perfume de Mulher. E o melhor: enquanto a banda toca, projeções alusivas aos filmes aparecem em telão ao fundo. Parece até sofisticado demais para a terra do Bastião, mas é real – e salutar apreciar o momento.

Canto festivo

Hoje à noite, no Parque do Chimarrão, rola a final do festival O Rio Grande Canta o Cooperativismo. A maior parte da divulgação está em torno do nome dos apoiadores e de um monte de números, o que dá a entender que a música é um mero pano de fundo da coisa toda, mas OK. Leio, porém, que intérpretes como Shana Müller e Délcio Tavares estarão presentes – não é comum abordar nomes como estes neste espaço, mas, ei: falamos aqui de música e é inegável que eles são grandes cantores. Musicalmente, o evento parece inclinado ao gauchesco, mas o DVD do festival no ano passado apresenta músicas, por exemplo, de samba-choro e xote, então poderemos ter boas surpresas.

Que é good nós num have

É preciso pagar 15 dinheiros para ver a Orquestra amanhã, enquanto a programação do festival no Parque é toda ela gratuita, o que me faz lembrar o que vi noutro festival, o de balonismo, na semana passada: um evento grátis, agradável, pouco usual e com boas atrações. O único custo era pagar 15 dinheiros para estacionar, mas eram inúmeros os carros – já escreveria Roni Müller – largados nos arredores para driblar o pagamento. Alguns preferiram arriscar serem multados – e foram – para fugir do valor. Sim, as pessoas são livres para fazer o que bem entendem e estamos num lugar economicamente precário – seja país, estado ou município –, mas este é um bom indicativo de que a terra do Bastião não é um lugar propício para eventos que não sejam o do próprio padroeiro.

Se nós havasse…

Não quero dizer que o Festival de Balonismo seja a versão local das 500 Milhas de Indianápolis, ou que não tenha pontos que poderiam ser assim ou assado. Digo que, por qualquer que seja o motivo – e cada um que se manifestar a respeito poderá ter uma série de alegações razoáveis e difíceis de desmentir –, as pessoas, em geral, resistem em levar seu dinheiro às parcas tentativas de coisas minimamente diferentes que se propõem em território local. E isso é não menos do que letal para a sobrevivência de qualquer iniciativa. Ponto também para os governos, que há séculos insistem em sugar o que podem dos bolsos do contribuinte, para entregar pouco ou nada em troca e dizimar o poder de consumo – e o humor – da população. E assim seguem.

Três acordes

# Freddie Mercury, no Queen, cantou querer se libertar e sair do armário. O Lynyrd Skynyrd trazia a metáfora sobre o pássaro livre, enquanto o Iron Maiden trouxe grito frisado de liberdade ao contar a libertação da Escócia inspirada em Coração Valente.

# Se Paul McCartney homenageou os soldados ianques após 11 de Setembro, Ozzy Osbourne cantou com o Black Sabbath estar livre da megalomania que perturbava sua mente. E para Tom Petty, até sua queda era livre. Pois em suma, esse é objetivo final.

# A liberdade sempre será um dos temas mais cantados por qualquer que seja seu artista preferido. E sempre será um objetivo básico da vida de qualquer sujeito que busque viver a vida em plenitude e esteja nas devidas condições mentais para tanto. Siga teu coração. Liberta-te e livrai-te do mal. Amém.

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