Chocolate quente, sorvete de chocolate, bolo, founde, bombom ou chocolate puro...Ele cai bem em qualquer hora e em qualquer formato.

Para aliviar a tensão antes da prova. Para presentear um amigo querido. Para se deliciar enquanto assiste a um filme. Chocolate quente, sorvete de chocolate, bolo, fondue, bombom ou chocolate puro…Ele cai bem em qualquer hora e em qualquer formato.

Se você é daqueles que mal consegue passar um dia sem comer um chocolate, sabe bem do que estamos falando. Hoje, na edição que marca o retorno da circulação do Na Pilha! para as terças-feiras, aproveitamos o Dia Mundial do Chocolate para preparar essa edição deliciosa, que aborda desde as questões nutricionais e a relação do chocolate com as espinhas (um grande dilema da adolescência) até quem faz do chocolate um aliado no negócio. Boa leitura!

O doce número um

Se você acha que o chocolate é um privilégio da nossa época, está muito enganado. Se hoje comemoramos o Dia Mundial do Chocolate, é porque ele ultrapassou séculos e conquistou o paladar de diversas civilizações. Segundo a tecnóloga em Gastronomia Patricia Schmidt, existem relatos de que os primeiros pés de cacau surgiram há milhões de anos na Floresta Amazônica. Correntes migratórias levaram a planta para a América Central e para o México.

Os astecas – povos que viviam no centro do México, entre os séculos XIV e XVI – iniciaram o preparo de uma bebida feita com o cacau moído misturado com água. “Sem açúcar, o chocolate servido, na época, era amargo e frio. Os astecas acreditavam que a bebida era capaz de energizar e estimular as pessoas”, observa Patricia.

Em meados de 1509, alguém teve a ideia de misturar sementes de cacau e bagos de cana-de-açúcar. A bebida conquistou muitos paladares. Porém, somente em 1849, o chocolate passou a ser comercializado em barras, após a invenção do químico holandês Coenraad van Houten. Ele criou uma máquina capaz de extrair a manteiga de cacau e separá-la da massa de cacau, e experimentou misturar ambas a um pouco de açúcar, formando uma pasta que podia ser modelada e, ao esfriar, tornava-se sólida.

“No ano de 1875, o suíço Daniel Peter juntamente com o alemão Henri Nestlé aperfeiçoaram o processo e criaram a primeira barra de chocolate ao leite”, relata Patrícia, que atua como confeiteira.

Do descobrimento do chocolate até as barras compradas em mercados e lojas, o ‘doce número um’ fez uma longa viagem, com muitas mudanças no preparo. Seja como for, é inegável a importância que ele conseguiu conquistar. “Ele é usado tanto para adoçar a vida, como para melhorar o nosso dia, dar mais energia e utilizado amplamente na confeitaria para fabricar verdadeiras obras de arte e delícias gastronômicas”, destaca Patricia.

Benefícios nutricionais do chocolate

A nutricionista Franciéli Renz explica que o chocolate pode ser considerado um alimento

Nutricionista Franciéli Renz

nutritivo quando tiver alta concentração de cacau. Por isso, quanto maior for o teor de cacau na sua composição, mais benefícios ele terá – o indicado é consumir chocolates com, no mínimo, 70% de cacau, pois o cacau será o principal ingrediente.

O cacau é rico em antioxidantes que combatem os radicais livres do nosso corpo, tem ação termogênica, que ajuda no emagrecimento, melhora o humor e a depressão, pois tem substancias que aumentam a serotonina”, cita a nutricionista. Para garantir que ele traga benefícios, é preciso ser escolhido de forma correta. Por isso, atenção nas informações da embalagem, na hora de ir ao supermercado.

“O ideal é sempre olhar os ingredientes, evitar chocolates que tenham o açúcar como principal ingrediente e que contenham gordura hidrogenada ou gordura trans. Também é importante preferir os que contenham maior teor de cacau.”

Franciéli Renz – Nutricionista

Quanto posso comer por dia?

Adultos podem consumir até 30 gramas ao dia com no mínimo 70% de cacau. Isso corresponde a uns 5 quadradinhos de uma barra de chocolate. A nutricionista Franciéli Renz lembra, também, que o chocolate (assim como qualquer açúcar) não é indicado para crianças menores de 2 anos.

Tipos de chocolate

A diferença entre os chocolates está na concentração de cacau, açúcar e gordura (manteiga de cacau) em sua composição. Confira!

  • Ao leite: possui menor teor de cacau e sua composição é mais rica em manteiga de cacau,
    açúcar e leite.
  • Meio amargo: tem de 40% a 55% de cacau, pouca quantidade de manteiga de cacau e açúcar. É sem adição de leite.
  • Amargo: tem pouquíssimo açúcar e gordura (manteiga de cacau). O cacau é o principal ingrediente.
  • Branco: contém manteiga de cacau, leite em pó, açúcar, lecitina de soja e aroma de baunilha, o que faz com que seja tão doce. Do ponto de vista nutricional, é o mais prejudicial para a saúde. Conforme a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o chocolate branco é considerado chocolate se tiver, no mínimo, 20% de sólidos totais de manteiga de cacau.

Um refúgio nos chocolates

Uma mudança na área de atuação fez Camille Lacerda, 24 anos, ter uma terapia na cozinha. Há cerca de dois meses, a jovem decidiu colocar em prática o aprendizado de um curso de Gastronomia que fez em 2015.

Camille utiliza chocolate em doces artesanais (Foto: Eduarda Wenzel/Folha do Mate)

Camille sempre gostou de estar na cozinha, principalmente fazendo doces, mas, como atuava no setor administrativo, não tinha tempo para isso. Neste ano, depois de ter seu primeiro filho e com o isolamento social, a guria resolveu investir no sonho e começou a trabalhar com doces artesanais. “Eu tinha dois empregos, não dava tempo. Depois que virei mãe achei a combinação perfeita: fazer o que gosto e poder ficar com meu filho em casa”, comenta.

As receitas são feitas conforme o que ela aprendeu no curso e as que a mãe lhe ensinou. “Para produzir, conto com a ajuda dos meus pais. Todos os dias vou na casa deles para fazer as encomendas, assim, eles me ajudam com meu filho enquanto estou na cozinha”, explica a empreendedora, que considera que os melhores ingredientes são a dedicação e o amor.

Ela destaca que cozinhar é uma forma de terapia. “Esse tempo na culinária me ajudou muito mentalmente, porque, com nascimento prematuro do meu filho e depois a quarentena, foi tudo muito intenso desde janeiro. Descobri a cozinha como refúgio. Quando estou fazendo as encomendas estou somente ali, focada, colocando todo meu amor em cada receita.”

Apaixonada por comer chocolate, Camille também prefere fazer receitas com esse ingrediente ‘queridinho’ dos clientes. “O que mais vendo são as rapaduras crocantes. Em um mês, calculei o uso de uns 25 quilos de chocolate.”

Chocolate x espinhas

O chocolate como causador de espinhas é motivo de controvérsias no meio científico. De acordo com a dermatologista Francine Carla Oliveira Seibt, estudos apontam que não é o cacau o causador de espinhas, mas, sim, os outros ingredientes que estão presentes no chocolate, como leite, açúcar e gorduras. “Tem estudos que tentam provar que é o cacau, mas até agora é comprovado que são os ingredientes adicionados para fazer o chocolate”, esclarece.

Dermatologista Francine Seibt

Quando esses ingredientes são misturados com o cacau, aumentam a produção sebácea da pele (oleosidade) e incentivam a reação inflamatória. “São esses efeitos que provocam o surgimento das espinhas”, explica Francine.

Por outro lado, a dermatologista lembra que, se o cacau for usado sozinho, ele é rico em polifenóis – substâncias antioxidantes que são benéficas para a saúde e, inclusive, para pele. Portanto, a profissional ressalta que é sempre melhor dar preferência aos chocolates com alta porcentagem de cacau e pouco açúcar, gordura e leite. “Também é importante amenizar o consumo de chocolate branco, pois é o pior para pele, porque contém muita gordura, açúcar e leite, e tem pouquíssimo cacau”, salienta Francine.

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