Durante toda a quarentena, belgas puderam saborear suas amadas batatas-fritas. (Foto: Divulgação/ Potato Business)

PÉ NA ESTRADA

Por Ana Flávia Hantt*

Se no Brasil a retomada dos treinos e dos campeonatos futebolísticos tem sido uma constante nos noticiários, com descrições detalhadas sobre medidas de higiene e estado de saúde dos atletas, em outros países, são outras paixões nacionais que escaparam ilesas na quarentena. Em países como Bélgica, Itália, Holanda, Alemanha e França, onde a população poderia ser até multada por descumprir as regras de isolamento, itens pitorescos assumiram status de ‘essenciais’.

Na Bélgica, por exemplo, esse item era a batata-frita. O país, que reivindica o título de inventor da iguaria, permitiu que as ‘friteries’ continuassem em operação durante toda a crise causada pelo Covid-19.

A única restrição era o fato de que os consumidores deveriam buscar o alimento para ser consumido em casa. A ‘friterie’ localizada na vizinhança onde eu estava instalada em Ronse, por exemplo, tinha sempre filas que dobravam a esquina, especialmente ao entardecer. Ninguém queria ficar sem os crocantes e dourados palitos de batata, que segundo os belgas, é o melhor do mundo.

Na França, as lojas especializadas em vinhos foram consideradas essenciais. Na Holanda, foram os estabelecimentos que vendem cannabis, embora os consumidores pudessem consumir o produto apenas em casa.

Na Alemanha, foram as lojas que vendem bicicletas, consideradas ‘à prova de infecção’ pelo governo alemão. Na Itália, as bancas que vendem jornais foram consideradas essenciais, e em Roma, as ‘gelaterias’ (lojas tradicionais que vendem sorvete artesanal) podiam operar com tele- entrega.

Quando o assunto é paixão nacional, cada país compreende a sua. Além do futebol, o que não poderia faltar no Brasil?

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