Catiane é exemplo de consumidora que fica atenta às promoções (Foto: Alvaro Pegoraro/Folha do Mate)

Por Cassiane Rodrigues e Juliana Bencke*

O levantamento realizado mensalmente pela Folha do Mate, em três supermercados de Venâncio Aires, para verificar os preços de 38 itens que compõem a lista de compras, apontou uma variação de 2,8% nos preços, na comparação com abril. Outro aspecto que chama atenção, na pesquisa realizada no início deste mês, é a diminuição na diferença de valores cobrados pelos supermercados.

A diferença do estabelecimento com menor valor para o maior, neste mês, é de 1,15%, enquanto que, no mês passado, correspondia a 6,69%. Desta forma, é possível constatar que a diferença entre os supermercados diminuiu 5,54% de um mês para outro. A variação é ainda maior se compararmos a maio de 2019, quando a diferença dos valores cobrados pelos produtos era de 9,3%.

Para o economista Carlos Giasson, embora os supermercados não tenham vivenciado a queda de vendas como as lojas que foram fechadas, em função da pandemia do coronavírus, o setor também sofre os reflexos do período. “Em um primeiro momento, muitas pessoas ficaram assustadas e houve uma procura exagerada de itens básicos e ligados à higiene, que começaram a faltar nas prateleiras e tiveram um aumento de preço.”
Ele observa que, por precaução, mercados de grandes redes conseguiram ampliaram o estoque, o que não foi possível para os estabelecimentos menores – um dos aspectos que ajudara a explica a redução na diferença entre os preços dos supermercados. “Quando o pequeno mercado vai comprar, não tem acesso ao produto, o que faz com que o produto não chegue ao consumidor ou que acabe ficando mais caro. Os pequenos tendem a sofrer mais neste momento, por isso, é importante valorizá-los”, comenta.

Outro aspecto destacado pelo economista é que o custo de operação do comércio ficou mais caro. “Muitos funcionários precisaram ficar em casa, por serem do grupo de risco para o coronavírus, além de aumentarem os gastos com Equipamentos de Proteção Individual (EPIs). Tudo isso encarece a operação e acaba interferindo no preço repassado ao consumidor”, analisa Giasson.

AUMENTO

Apesar da variação nos preços praticados nos supermercados ter diminuído, o preço médio total para adquirir os 38 itens pesquisados aumentou mais uma vez, neste mês. O valor médio da lista de compras ficou R$ 292,05 em maio – 2,8% a mais que em abril, quando a média era de R$ 284,05.

Na comparação com maio do ano passado, o aumento também é significativo, já que, em 2019, eram necessários R$ 264,86 para adquirir todos os itens, um acréscimo de 10,26%. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado de 12 meses é de 2,40%, ou seja, a lista de compras subiu quatro vezes mais do que a inflação registrada no período.

O economista Carlos Giasson explica que a inflação é calculada com base nos preços de diversos produtos e serviços. “Embora os aumentos no valor do rancho pesem mais no bolso, eles não refletem o total da inflação. A inflação é uma cesta de produtos e serviços, na qual uns sobem de preço e outros descem. O que percebemos é que, até agora, alguns aumentaram, como os preços no supermercado, mas a maior parte se manteve ou até caiu, como no caso do combustível”, observa.

Em meio a isso, a pesquisa de preço segue sendo a principal aliada para quem quer economizar. A autônoma Catiane da Luz, 26 anos, é um exemplo de consumidora que pesquisa preços antes da compra. Ela costuma fazer as compras ‘maiores’ em um determinado supermercado, mas está sempre atenta às ofertas. “Presto atenção nas promoções, principalmente de carne e verduras, e compro onde o preço estiver melhor”, afirma.

PRODUTOS 

Dos 38 itens pesquisados, 25 tiveram aumento no preço, 11 sofreram queda e dois permaneceram iguais. O item com acréscimo mais significativo foi a cebola, que o preço médio do quilo que passou de R$ 4,19 para R$ 5,99. Já a maior queda foi no preço médio do pernil suíno, que passou de R$ 14,26 para R$ 13,56.
A diminuição do movimento dentro dos estabelecimentos também foi notável. A pesquisa foi feita na manhã de segunda-feira, 11, e poucas pessoas circulavam pelos corredores dos três supermercados.

*Colaborou Alvaro Pegoraro 

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