Júlia Thiesen e o desejo de uma sociedade que reconheça o potencial da escola e das crianças

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Quem acompanha o dia a dia da pedagoga Júlia Grasiela Thiesen, 29 anos, e a paixão pela educação que transborda pelas palavras e pelo olhar, não imagina que a área não tenha sido a sua primeira opção profissional. Logo que se formou no Ensino Médio, ela cursou a graduação de Ciências Contábeis, por um semestre. Depois de perceber que não se identificava com a profissão, decidiu apostar na Pedagogia e ir ao encontro do que a mãe, a professora aposentada Marisa Specht Thiesen, já via há tempo como um potencial da filha caçula.

“Me encontrei no curso, mas conclui ele em 2014 sem atuar na área”, relata. A primeira experiência profissional foi na Escola Municipal de Educação Infantil (Emei) Vó Olga, em Mato Leitão. Em 2018, passou a atuar em Venâncio Aires, como monitora de Educação Infantil na Emei Yolita da Cruz Portella, instituição na qual, desde o ano passado, atua como diretora.

Entre o início da caminhada profissional e a gestão da Emei, que tem 114 crianças e 35 profissionais na equipe, está uma trajetória permeada de dedicação e estudo. Júlia realizou pós-graduação em Orientação Educacional e, após, a especialização em Educação: a pesquisa como princípio pedagógico, do Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSul) Venâncio Aires. “Foi essa especialização que me despertou para uma nova educação, para a certeza de que é possível e que podemos fazer a diferença”, ressalta ela, que sonha com um futuro de mais valorização da educação, por parte da sociedade.

Motivada, ingressou no mestrado de Ensino de Ciências Exatas, da Universidade Federal do Rio Grande (Furg) – campus Santo Antônio da Patrulha. A previsão é concluir a dissertação neste ano. “Acredito muito que a gente precisa se atualizar. Estudar nos permite refletir, desconstruir e reconstruir, e isso é essencial para o trabalho com as crianças. Até pouco tempo, se pensava no professor como quem dá o ensino, mas hoje há uma dinâmica de mediação, das crianças no centro do processo. Elas também nos ensinam, e isso me encanta”, salienta.

Como diretora, Júlia tem como propósito auxiliar os educadores a reconhecerem o potencial que têm. “Tudo o que o profissional faz reflete nas crianças, por isso acredito que é importante despertar o melhor de cada um e busco participar ativamente das atividades com as crianças e as professoras”, comenta.

“Meu maior desejo é que a Educação Infantil seja reconhecida pela sociedade, seja vista, cada vez mais, como escola e não apenas como um local para deixar as crianças. Que seja percebida a potencialidade dessa escola, onde as crianças vão se desenvolver e isso fará a diferença em toda a sua vida.”

JÚLIA GRASIELA THIESEN – Pedagoga e diretora da Emei Yolita

Desafio e valorização para uma jovem diretora

O convite para assumir a direção da Emei Yolita da Cruz Portella, do bairro Brígida, surpreendeu Júlia. Em novembro do ano passado, ela integrou uma das duas chapas da eleição da escola, como vice. No pleito, o segmento dos Pais elegeu uma chapa, enquanto a outra foi escolhida pelos Professores.

Por conta disso, a Secretaria Municipal de Educação indicou a composição da equipe diretiva, com uma representante de cada chapa e outra profissional que não havia concorrido. “A minha grande surpresa foi que, quando nos chamaram para conversar, propuseram que eu assumisse a direção. Estava preparada para ser vice, até então, mas me senti muito valorizada, pois foi uma escolha técnica, baseada na minha trajetória”, relata.

Atividades ao ar livre e estímulo ao protagonismo dos estudantes são premissas do trabalho da pedagoga (Foto: Arquivo pessoal)

De acordo com ela, o fato de ser jovem é um desafio para liderar uma equipe com experiência – grande parte dos profissionais que já estava na escola antes da sua chegada. Entretanto, Júlia também se sente valorizada e orgulhosa por isso e acredita que a inovação que a equipe diretiva propõe é muito positiva, com o engajamento de todo o grupo de profissionais.

“Nem todos os dias são tranquilos, é um desafio e é normal surgir medo de não dar conta. Mas vamos vivendo um dia de cada vez e sempre buscando agir pensando no melhor para as crianças. Buscamos ser inspiração, ser espelho”, enfatiza a educadora, que tem como vice-diretoras Helena Maria Kist, 34 anos, e Juliara Beatriz Dornelles, 31 anos. “Somos uma gestão bem jovem, em uma escola que tem um espaço ao ar livre privilegiado, que busca estimular a autonomia e valorizar a potência das crianças”, define.

A educadora faz questão de ressaltar a importância da rede de apoio familiar que possibilitou que se dedicasse aos estudos e também assumisse o desafio de estar à frente da Emei Yolita. Além do companheiro Alfredo Conceição da Luz, ela cita os pais Luiz José e Marisa Thiesen e a irmã Rafaela Cristina Thiesen. “Minha mãe sempre foi uma grande apoiadora, um exemplo de vida e quem sempre incentivou a seguir estudando e dando todo o suporte possível. Além disso, cresci com pai envolvido na associação de moradores do bairro Morsch. Sempre tive o exemplo familiar”, enfatiza.

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