Outubro Rosa e Novembro Azul

Milhares de famílias trabalham na plantação no seu beneficiamento. Uma grande parte dos impostos que mantém a administração de Venâncio Aires é gerada pelas indústrias do ramo. Esta é a parte boa do negócio. Refiro-me ao tabaco.

Mas, como toda moeda também costuma ter seus dois lados, não poderia deixar de também falar dos problemas gerados pelo seu consumo.

No nosso país, segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA), ainda não foi determinado o valor exato que o governo brasileiro gasta no tratamento dos casos de câncer de pulmão, enfarte, bronquite crônica e enfisema provocados pelo cigarro. Mas, calcula-se que cerca de 200 mil mortes ocorrem anualmente em decorrência do tabagismo.

Em um estudo que está sendo preparado por este Instituto estão sendo selecionados pacientes que adoeceram em conseqüência do tabagismo. Com isto quer-se levantar os dados sobre o que é desembolsado com seu tratamento e internação. Esta pesquisa será financiada pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) e deve ser desenvolvida simultaneamente no Brasil, no Chile, na Colômbia e no México.

Hoje, o sistema de informações em saúde contém apenas dados parciais fornecidos pelo Sistema Único de Saúde. Este estudo propõe fornecer subsídios para calcular o volume de recursos que terão que ser direcionados para o setor. Há um projeto que pretende redirecionar o lucro gerado pela indústria do cigarro para o financiamento destes tratamentos e que já representam algumas centenas de milhões de reais por ano.

Esse mapeamento de custo será feito desde o diagnóstico da doença até eventuais cirurgias necessárias e despesas com exames e medicamentos. Os dados dos diferentes países também poderão ser comparados.

O INCA já começou a coletar estes dados, em seu próprio hospital e outras unidades no Estado do Rio de Janeiro. No total, serão pesquisados mil doentes em todo o Brasil. A metodologia utilizada será a mesma em todos os países participantes do levantamento.

O Banco Mundial calcula que os tratamentos em decorrência destas doenças custe aos cofres públicos algumas centenas de bilhões dólares por ano, sendo a metade em países em desenvolvimento.

Feitos estas ponderações, vale um comentário: Quem sabe, já é tempo da própria indústria fumageira realmente estimular o desenvolvimento de culturas alternativas, que aos poucos possam substituir estes nossos produtos de tão alto risco para a saúde?

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