Após mais 40 anos de atuação em uma fumageira, Cláudio Cruz tornou o hobby que era o de cultivar orquídeas em um negócio em Venâncio Aires.
Cláudio Cruz acredita que tem cerca de 10 mil plantas no orquidário, que fica às margens da RSC-287 (Foto: Cassiane Rodrigues/Folha do Mate)

O empreendedor Cláudio da Costa Cruz, 65 anos, transformou o hobby em um negócio há cinco anos. Colecionador de orquídeas por pelo menos duas décadas, ele decidiu investir em um orquidário depois de concluir um ciclo de 41 anos de trabalho em uma fumageira.
A trajetória de trabalho e comprometimento começou cedo. Com 8 anos já ajudava os pais na lavoura de tabaco. Estudou até a 5ª série e parou os estudos aos 12 anos. “Eu nunca vou esquecer. Na época meu pai falou: ‘agora acabou, já perdeu muito tempo estudando, agora vamos para a roça’”, recorda.

Quando tinha 18 anos, decidiu sair de casa e ir para São Jerônimo trabalhar como peão de uma fazenda. A aposta não deu muito certo e ele retornou um ano depois, pois não via futuro no que fazia. Foi então que voltou a se dedicar aos estudos e concluiu o Ensino Médio no Colégio Gaspar da Silveira Martins. Em 1974, quando ainda estudava, começou a trabalhar como temporário na LM do Brasil, empresa do ramo tabacaleiro que, mais tarde, se transformou na atual Alliance One. “Na época não tinha esteira, as cargas dos caminhões tinham que ser carregadas no braço e era isso que eu fazia no começo”, lembra.

Com o tempo, Cruz desempenhou outras funções e encerrou o ciclo na empresa em 2015, quando atuava como coordenador do controle de qualidade. Durante o período, ficou por 4 meses e meio no Vietnã, para desenvolver trabalho de orientação para o processo do tabaco para exportação.

Ele conta que acompanhou todo o crescimento e a evolução tecnológica da empresa, com a modernização e informatização dos processos. “A mudança aconteceu até mesmo na gestão. Teve um tempo em que chefe não podia sorrir pois perdia o respeito dos funcionários. Com o tempo, a gestão passou a ser compartilhada, com mais líderes do que chefes”, observa.

Cruz conta que, desde 2010, já vislumbrava a saída da empresa e a aposta no negócio próprio em 2014, pois era quando completaria 60 anos. A pedido da gerência, ficou um ano a mais e encerrou a trajetória na indústria em 2015, mesmo ano que inaugurou o orquidário.

A intenção sempre foi investir em um negócio no qual pudesse trabalhar com a família. Hoje, além dele, atuam no Orquidário Cruz os filhos Rovane e Roberta, e a esposa Eva. A filha mais nova, Raquel, era estudante no início do empreendimento e hoje trabalha como arquiteta em Venâncio Aires.

“O cultivo de orquídeas é muito saudável e prazeroso, não considero trabalho. Do meu gosto por colecionar, surgiu a ideia de abrir um negócio comercial.”

CLÁUDIO CRUZ – Empreendedor

O orquidário fica às margens da RSC-287, em uma estufa de 720 metros quadrados com cerca de 10 mil plantas. “Visualizei um nicho de mercado. Vivemos numa cidade de colonização alemã, as pessoas gostam de flores, apreciam orquídeas. E nosso ponto é estratégico, recebemos grupos de turistas de diversos municípios”, comenta.

Sobre a aposta, Cruz diz que uniu algo que gosta muito de fazer a um negócio. Ele defende que ao decidir investir em um negócio é necessário atentar na escolha do local. “Meu conselho para quem vai abrir um negócio é escolher bem a localização, isso é fundamental. Muitos negócios não dão certo não por problema no produto, mas por estar mal localizado”, reforça.

Cultivo de orquídeas

O gosto pelo cultivo de plantas passou de geração em geração. O orquidófilo lembra que a mãe tinha o hábito de trazer para casa mudas de flores para plantar. Sobre a produção, ele diz que é um aprendizado constante, pois cada espécie tem suas especificidades no cultivo. “É um desafio diário, tem uma série de processos que temos que seguir. Estamos sempre aprendendo”, diz. Além de orquídeas, a família também cultiva pitaya, uma fruta com várias propriedades benéficas.

Durante a pandemia, Cruz afirma que não sofreu os reflexos da crise. Ele acredita que isso se deu devido às pessoas ficarem mais em casa e verem numa flor a chance de alegrar os ambientes. “As flores têm o poder de elevar a autoestima, alegrar e dar vida às casas”, salienta.

Integração

O Orquidário Cruz faz parte da Rota do Chimarrão, projeto da Associação de Turismo Rural Rota do Chimarrão (Aturrchim). Além disso, Cruz foi presidente do Núcleo de Orquidófilos de Venâncio Aires, Mato Leitão e Passo do Sobrado (Nova) e participou da organização de diversas Festas das Orquídeas, em Mato Leitão.

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